O que vi e ouvi na 64th Feira de Veículos Comerciais em Hannover

Entre os dias 20 e 27 de Setembro, o Hannover Messe sediou a 64th feira de veículos comerciais, IAA 2012(Internationale Automobil-Ausstellung). Esse evento reúne os principais produtores de veículos de grande porte como caminhões, carretas, utilitários de menor porte como vans e combos, assim como produtores de peças e tecnologias para veiculos dessa categoria.Tive boas conversas com gente da Mercedes, Volvo, Bosch, BorgWarner, Donaldson, e alguns outros nomes desse mercado. Foi bom ver as novidades, e, claro, a evolução do software nesses produtos. Os hot-topics foram: comunicação carro-a-carro, personalização, integração com smart phones, e ampla integração com redes sociais. Em especial, a Bosch estava mostrando um sistema que permite personalizações em um caminhão, com base na sincronização entre o iPhone do motorista e o sistema central do veículo. Mais especificamente, antes de entrar no caminhão,  o motorista iniciava um app, e algumas configurações como regulagem de bancos e espelhos, e o esquema de cores do painel eram ajustados.

No que diz respeito a redes sociais, as preferências de restaurantes e localização de amigos, por exemplo, também fazem parte desses sistemas. Se em determinado momento o motorista iniciar uma busca de restaurantes próximos se sua localidade, o sistema dará destaques especiais a restaurantes que tenham similaridades com as preferências dele definidas em redes sociais, e mostrará como esses locais tem sido avaliados pelos demais clientes.

No que tange desenvolvimento desses sistemas, todos destacaram que o fato do software ter assumido papel chave nesse contexto foi importante, tendo em vista todo beneficio gerado. No entanto, os efeitos colaterais tem sido grandes. O principal problema destacado foi: Atraso na entrega do produto. Os cronogramas de projetos desses sistemas nunca estiveram tão atrasados. E todos culpam os times de desenvolvimento de software. Aquela velha historia que ouve-se frequentemente “a culpa é do pessoal da informática” se tornou comum nesse meio.

Muitos destacaram a necessidade de contratação imediata de profissionais qualificados para atuar no desenvolvimento de sistemas dessa natureza. As demanda são diversas: gerenciamento de requisitos, modelagem arquitetural, teste, controle de evolução,  gerência de configuração, e gerenciamento de projetos foram enfaticamente citados.

O mercado está aquecido. Apesar da crise na europa, as empresas tem contratado engenheiros de software aos montes. Aos interessados, se dediquem a aprender inglês. Sem ele todo conhecimento adquirido com métodos e técnicas computacionais não terão valia alguma por aqui.

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Carros Inteligentes

O avanço das técnicas computacionais vem motivando a indústria automotiva a praticamente reinventar os seus produtos, fazendo com que os carros de hoje em dia sejam, de fato, um aglomerado de sistemas de computação se comunicando e tomando decisões que, em certos casos, chegam a ser superiores às intenções dos motoristas.

Para se ter noção da quantidade de computação presente em um carro nos dias de hoje, considere os seguintes dados: Um jato F-35 contém aproximadamente 6 milhões de linhas de código; um 787 Dreamliner, 7 milhões. Já um Mercedes-Benz classe S, aproximadamente 20 milhões de linhas de código. Em 2009, a Frost & Sullivan estimou que em um futuro não muito distante, os carros chegarão a 300 milhões de linhas de código.

Quais as implicações de tanta computação em um automóvel? Uma das principais, obviamente, é o custo de produçao. O Dr. Manfred Broy, professor de Ciência da Computação da TU Munique, e mentor para assuntos computacionais de uma renomada marca automotiva alemã, estima que o custo com software e eletrônicos em um carro chega a ser responsável por ate 40% do custo de um automóvel. Nos proximos sete anos, essa porcentagem deve chegar a até 80%. Levando em conta que a hora de profissionais de software nao é nem um pouco barata nos dias atuais (Good for us! :-)), espera-se que a contínua necessidade desses profissionais no desenvolvimento de carros eleve ainda mais os preços destes num futuro próximo. No contexto brasileiro, isso implica em carros ainda mais caros. Dai vê-se a necessidade de um ajuste na política de preços no setor automotivo brasileiro.

Diante desse cenário, os grandes nomes da computação têm voltado a atenção para o mercado automotivo: Microsoft firmando acordo com Toyota, a Google e seu Google Car, IBM, e até a Apple sonha sonhou em se aventurar no mercado automotivo com o utópico iCar.

Gostaria de compartilhar algumas experiências pessoais sobre os desafios no dia-a-dia no ambiente de desenvolvimento em algumas indústrias automotivas. Mas isso é assunto para outro post.

Aos interessados, recomendo a leitura do artigo This Car Runs on Code de  Rober N. Charette, fonte primária das informações desse post.