Cargo cult, eXtreme go horse e afins

Depois de alguns anos escrevendo código, e também, observando códigos de outras pessoas, meus códigos antigos e código legado percebi alguns comportamentos e padrões entre o aptidão e/ou tempo de experiência X design do código das pessoas.

Investigando esses padrões, consegui entender melhor os “porquês” da incidência, em projetos grandes e bem financiados, de fenômenos como Cargo cult, eXtreme go horse, programação orientada a gambiarra e afins.

Contextualizando – Cargo Cult, descrito por Steven C. McConnell no livro Code Complete, é o fenômeno cultural observado em tribos indígenas/aborígenes, durante a segunda guerra mundial, que envolviam impactos entre duas civilizações, sendo uma moderna em aspectos tecnológicos e outra primitiva. Durante a guerra, soldados americanos necessitavam pousar em ilhas desertas para recarregar combustíveis ou armar mísseis, entretanto muitas dessas ilhas visitadas eram habitadas por esses povos. Ao ocorrer o choque das civilizações, os primitivos imaginavam que os soldados, com todo seu aparato, fossem deuses. Depois da partida da civilização moderna, os indígenas costumavam fazer rituais em determinados períodos do ano com o intuito de invocar os supostos deuses soldados, mudando assim o comportamento cultural/religioso do local.

Ao trazemos esse conceito para computação temos situações clássicas que vivemos no nosso dia a dia, talvez a mais popular seja : Ao perguntar a um desenvolvedor/gerente/engenheiro: – Para que serve esse pedaço de código? Ele te responde: – Não sei, mas não mexe aí! Pode parar de funcionar! Em outras palavras o desenvolvedor possui um tipo de ritual para realizar determinadas tarefas, como inserir código legado, bibliotecas, classes que não necessariamente são úteis para a implementação do mesmo, acarretando a incompreensão sobre o sistema de forma geral.

Para falar de eXtreme go horse temos que esquecer de qualquer boa prática, Scrum, Kanbam, Pair Programming ou qualquer coisa que lembre engenharia de software, isto é, se focar em escrever código e vencer o prazo. Infelizmente é uma realidade triste do mercado, que muitas vezes pode indicar falta de comprometimento do time e falta de alinhamento de interesses entre equipe/empresa ou má gestão do líder.

A verdade é que o caminho para esses cenários(caóticos) são convergentes podendo ser resumidos em falta de maturidade da parte do líder ou desenvolvedor, insegurança, pressão, contratos com prazos irreais, falta de comprometimento da equipe, etc. Muitas vezes esses motivos também podem acarretar um efeito dominó, piorando a situação exponencialmente.

Claro, podemos determinar inúmeras hipóteses para a solução do problema de desenvolvimento de software, entretanto, é fato que a solução está bem longe de determinar metologias rígidas ou mudar conceitos das mesmas. Temos que ir além, precisamos mudar conceitos, quebrar paradigmas, criar um time com determinação e com aptidão, mensurar e explorar potenciais, trabalhar com dificuldades, amadurecer a equipe e acima de tudo cair na real.

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